Os crimes do Jardim Celeste (Patuá, 2024). O protagonista da trama é o ex -delegado Júlio Marcondes que tem uma semana para recuperar um envelope roubado e, assim, obter dinheiro para uma cirurgia que salvará seu filho paraplégico, Diego. A princípio, a tarefa parece fácil, mas aos poucos ele descobre que obter os documentos significa se aliar à pior parte da indústria farmacêutica internacional, enfrentar contrabandistas e desvendar três assassinatos no Jardim Celeste, na periferia de São Paulo. A história se passa entre os cenários mais luxuosos e miseráveis da cidade, onde convivem bandidos de todas as classes: de favelados a policiais, executivos e políticos, envolvidos em corrupção e violência. Marcondes fica mais distante de seus objetivos, quando se apaixona por Laura, a mulher de seu melhor amigo, Luiz Battler, e precisa decidir entre traição e lealdade.
Trata-se de um texto com 260 páginas que discute temas como a atuação da indústria farmacêutica, a condição das pessoas com deficiências físicas, o trabalho policial e seus limites. A trama recoloca dramas pessoais na ordem do dia, como a culpa dos pais, a busca pela felicidade a qualquer preço, as paixões e seus limites. O pano de fundo é a vida urbana em São Paulo, com cenários presentes no dia a dia solitário dos moradores da maior metrópole do hemisfério sul. Ao longo da obra, o autor homenageia suas referências na ficção policial, entre os quais Dashiell Hammett, Raymond Chandler, Agatha Christie, Luiz Alfredo Garcia Roza, Leonardo Padura, Manuel Vázquez Montalbán, Dennis Lehanne, entre outros.