PREFÁCIO
Psiu! Vem aqui na rede, que eu te conto…
Te conto como fui impactado ao conhecer Rita, Stefany,
Sueli, Juvenal, Arnaldo Felipe, Norberto Tobias, Mauro, namo-
rado de Estela, Mariana, Manolo, Judite… todas, personagens
que saltam dos contos e da alma de Elaine Perez.
Não me lembro quantas foram as vezes em que fui to-
mado pela emoção, ou tive que interromper a leitura dos con-
tos para me entregar à divagação, aos efeitos da memória
afetiva ou à reflexão por causa do tema proposto. Este livro
me impactou de forma tal, que foi preciso reler alguns textos
para melhor assimilar a mensagem, com um olhar menos em-
baçado pela emoção.
A escrita de Elaine apresenta um vigor impactante, tal
qual é a sua potente voz, que já tive o prazer de ouvir, tanto
em conversas, como em canções. A sua narrativa é visceral.
Sem fugir de temas espinhosos, muito pelo contrário, às ve-
zes os procurando em tons provocativos, a autora vai ao pon-
to essencial do assunto, busca o que incomoda, na intenção
de levar o leitor a uma reflexão mais profunda sobre o seu
próprio posicionamento e suas ações ante a existência.
Vem aqui na rede, que eu te conto…
Te conto que Rita é linda, no entanto sua perspicácia
pode levar o leitor a precisar de uma ritalina. Te conto que
a religião deixou marcas profundas e determinantes na filha
do seu Valdemar e dona Maria, pelo resto da vida. Vem que
eu te conto que um quadro na parede pode te transportar
para lugares deliciosos que estão adormecidos nos recôndi-
tos da alma.
Talvez agora o leitor já suspeita sobre o que o aguarda.
Você se surpreenderá ao perceber como esta loira, de olhos
verdes, do interior paulista, ressignifica a expressão trem de
Minas…, num diálogo bem-humorado, que nos leva a refletir
sobre os pequenos prazeres, sobre quebrar regras pessoais e
o prazer de se dar o direito de viver e ser feliz.
Você ainda está aí? Vem pra rede…
Eu posso te contar como Elaine narrou sobre romances
virtuais, encontros suspeitos e revelações inusitadas, que al-
teram toda a dinâmica familiar…
No entanto, esta escritora surpreende e não se distrai
com as cenas lúdicas e bucólicas que a cercam, antes, fixa o
verde brilhante dos seus olhos sobre o marrom que desce,
sem piedade, sobre os habitantes de Bento Rodrigues e es-
corre pelo rio, destruindo toda a vida à frente, em prol da ga-
nância de alguns.
Será numa triste narrativa que o leitor vai notar o feneci-
mento do brilho do olhar esmeralda, ao se deparar com o pre-
conceito racial, onde a cor negra, tão linda quanto o verde,
é empregada como adjetivos preconceituosos acompanhado
de palavras como ovelha, lista, livro, mercado, dentre outros,
assumindo tons repressivos, intimidadores e, quando pior,
tons sugestivos de uma fantasia repulsiva.
Mas antes de permitir que você adentre às páginas de
Elaine Perez, quero deixar algumas perguntas no ar: sabe a
diferença entre sapo, rã e perereca? Para que serve um banho
de assento com bicarbonato de sódio? O que pode acontecer
num dia vinte e dois do dois de dois mil e vinte e dois?
É com esse sorriso nos lábios que convido o querido lei-
tor às páginas deste livro emocionante e inspirador, que traz
contos de balançar ideias e acordar o coração.
Jefferson Lima
Escritor